segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Assim mesmo

Pediram-me a verdade, e eu sempre fui incerto, dissimulado. Eis a verdade, e ela é vazia. Indiferente. A verdade é de morte sem luto, beijo sem saliva, um passo sempre em falso. Quando alguém lhe pergunta sobre a verdade, na verdade não quer ouvi-la, e sim a fantasmagoria já imaginada nos recônditos (sempre quis usar essa palavra) do espírito atormentado pela dúvida. Autodestruição, por favor! A tempestade de verão cai como apocalipses nos povos pecadores. Já estou no Inferno. E até me acostumei, acho que sempre foi meu lar, eu é que fingia não perceber. As chamas me queimam de dentro pra fora, é o desejo de punição, a justa condenação dos injustos degredados. Carrego o Diabo no ventre, feito um filho. E serei a puta que irá pari-lo. Não tenho fé, não em mim. Em você sim. O que importa pra mim. O que não faz mais diferença, enfim. O fim.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Pelo mundo afora

Semana extremamente conturbada de sonho e pesadelo, de Inferno e enlevo, do que é bom, do que é ruim e do que não sei dizer. De batalhas esperadas e inesperadas, vitórias surpreendentes e derrotas merecidas. De erros, acertos, indecisões. De certeza. A única. E eu vivo sempre o dia de você.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Na tua garoa

Eu iludo todo mundo | Mas não mudo | No fundo sou sempre o mesmo | Frio | Sombrio | Mesquinho, vazio e Sol. || Mentira, já mudei tanto | Mentira da mentira | De pouco pranto de tanto em tanto | Já sou outro | Mas que ainda não serve | Ainda não é senhor | Ainda não é ninguém. || Só menos um na multidão | Alguém sem sono na escuridão| Nunca serei o bastante | Estarei sempre distante.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pai de toda a dor

Ah, se eu soubesse lhe dizer o que fazer pra todo mundo ficar junto!... Mas ninguém nunca esteve. Como já escrevi num conto, “o mundo é vazio, ninguém é feliz. Até as estrelas, solitárias, afastam-se umas das outras”. Talvez seja exagero estilístico trazido pela memória recente de uma tarde recém-aziaga. Ah, não importa, a gente sempre exagera umas coisas e dá menos importância a outras. Elas que se ajustem, caso eu não consiga. Também preciso sobreviver. Talvez todo mundo já estivesse junto há muito tempo, e eu que separei o pessoal. Melhor eu me retirar. Conheço o meu lugar.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

E seus apocalipses mais totais

[ "Man hands on misery to man. It deepens like a coastal shelf. Get out as early as you can, and don't have any kids yourself." ]

Não adianta mudar: para os outros, você sempre parecerá o mesmo. Não adianta se esforçar: para os outros, você sempre parecerá um fracasso. Não adianta. E é tão mais fácil fingir. Guardar as dores na gaveta e seguir vestindo um sorriso qualquer. A solidão é sólida e brilha muito mais que o sol.

[ "Todo dia a todo momento serão derrotados, desacreditados, cuspidos – e no entanto sempre sobreviverão." ]

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A áspera luz laranja contra a luz quase não púrpura

Lembro-me sempre d’A Construção, do Kafka, quando a marmota protagonista sai do buraco para admirar a maravilha da própria construção, as entradas perfeitas, até que, escondida no arbusto, tem um átimo de pânico, houvesse algum predador a espreitá-la, que pudesse atacá-la ou invadir seu palácio subterrâneo, e então ela se atira aos espinhos para se punir pela imprudência? Pois é. Não deve haver maior sentimento de culpa do que a constatação das próprias fraquezas. Mas quem sabe não seja isso o ponto de partida para se permitir ser ajudado, para realmente mudar. Erguer um castelo ainda maior, e sob a luz do sol. Sem o temor de uma invasão, tem se importar com o que pensam os predadores. Que o maior castelo esteja em quem construiu.

domingo, 4 de outubro de 2009

É mesmo

Eu disse que tudo ia acabar bem? Então, era mentira.